Nesse processo, o Santos era o melhor e mais requisitado clube do planeta para as turnês internacionais, que eram muito bem vistas na época. Para os brasileiros, além do prestígio internacional, as turnês davam muito mais dinheiro do que a Libertadores, por exemplo – competição que o Santos desistiu de participar mais de uma vez para priorizar suas excursões.
As aventuras da “Pérola Negra” no mundo árabe
Se hoje o futebol árabe tem mais destaque internacional por conta dos investimentos bilionários dos países do Golfo, o mundo presta menos atenção na história rica e na grande paixão dos árabes em relação ao futebol, algo que Pelé viveu de perto.
É importante destacar que a popularização das turnês, no final dos anos 1950 e durante os anos 1960, ocorria junto com os processos de descolonização dos países dos continentes africano e asiático que, dentro da recém-independência, convidaram o Santos a Seleção Brasileira para amistosos.
A Argélia, por exemplo, conquistou sua independência em 1962, mesmo ano da conquista do bicampeonato mundial do Brasil, em uma luta que teve o futebol como uma das suas grandes ferramentas. Três anos depois, enquanto o diretor Gillo Pontecorvo produzia o filme “A Batalha de Argel” – uma das principais referências do cinema político -, o primeiro presidente da Argélia independente, Ahmed Ben Bella, convidou a Seleção para dois amistosos.
Ben Bella, que tinha sua própria história como jogador de futebol, fez questão de viajar até a cidade de Oran para ver Pelé de perto, sem saber que aquela seria sua última aparição como presidente da Argélia. A situação política do país era de muita tensão, e algumas atitudes de Ben Bella diminuíram a sua popularidade e reforçaram movimentos de oposição.
Com a sua ausência da capital Argel por causa do jogo, o Ministro da Defesa Houari Boumediene arquitetou o Golpe de Estado que foi executado dois dias depois, acabando com o mandato e decretando a prisão do ex-presidente. Assim, a foto com Pelé é o último registro público antes desse momento de virada na história argelina.
No Egito, as duas visitas como jogador também mostraram o contraste de diferentes contextos políticos. Na primeira, a Seleção realizou três amistosos, com direito a uma recepção oficial do presidente Gamal Abdel Nasser, o mais icônico e polêmico líder político do mundo árabe no século 20. Ele foi um dos líderes da Revolução de 1952 – que deu origem à República do Egito -, o responsável pela nacionalização do Canal de Suez e o principal idealizador do pan-arabismo.
Quando Pelé encantou os egípcios pela primeira vez, o país era oficialmente a República Árabe Unida, uma união entre o Egito e a Síria estabelecida pelo Nasser em 1958 e que durou até 1961. Curiosamente, o Egito continuou usando essa denominação até 1971 e, em 1972, já sob o comando de Anwar Al Sadat, dois anos depois da morte do Nasser, Pelé voltaria ao país, agora com o Santos.
Em suas viagens, Pelé gostava de elogiar os craques locais
No Marrocos, em 1976, ele disputou uma partida contra um combinado de jogadores dos dois maiores clubes marroquinos, o Wydad Casablanca e o Raja Casablanca. Foi nessa oportunidade que Pelé conheceu o maior nome do futebol do país, Larbi Ben Barek, campeão espanhol com o Atlético de Madrid em 1950 e 1951.
Quando encontrou o Rei, Ben Barek já estava aposentado, mas esse contato deu os holofotes merecidos para um grande craque da história do futebol que não é lembrado como deveria. À imprensa local, Pelé rasgou elogios ao jogador e afirmou que ele era uma das suas referências com a famosa frase: “Se eu sou o rei do futebol, Ben Barek é o Deus”.
Em 1975, já no New York Cosmos, Pelé chegou ao Líbano e, entre os compromissos do clube, jogou um amistoso vestindo a camisa do Nejmeh SC, de Beirute, contra um time de jogadores de universidades francesas do país. Depois do jogo, Pelé elogiou a performance de um dos seus companheiros de equipe, o palestino Jamal Khatib.
Com o avanço da ocupação militar de Israel depois das Guerras de 1967 e 1973, o futebol palestino buscava formas de se organizar na diáspora e o Líbano, onde estava sediada a Organização para a Libertação da Palestina, era um dos lugares onde os palestinos mais conseguiam acessar o esporte, jogando por clubes locais. Por isso, nesse período, a maior parte dos atletas da seleção palestina atuavam no Líbano, incluindo o Khatib.
Fonte: PELEJA. Muito antes das grandes contratações sauditas, Pelé fez história no mundo árabe. Peleja, 18 mar. 2025. Disponível em: https://peleja.com.br/politica/pele-futebol-saudita-contratacoes-arabe/. Acesso em: 14 jul. 2025.
VAMOS LÁ?
Os dois textos falam de reis e de futebol. Com estas leituras, a proposta deste exercício é que você aplique as técnicas jornalísticas para produzir uma notícia (matéria ou reportagem) que trate de esportes, mas atenção: o texto NÃO DEVE SER APENAS O RESULTADO DE UM JOGO. A pauta deve usar o esporte para discutir outras questões importantes, por exemplo:
• Combate ao racismo
• Modalidades femininas
• Paradesporto
• Histórias de superação
Você pode falar de esportes amadores da sua cidade ou de esportes profissionais. Lembre-se que: se você não fizer a entrevista com o atleta e usar entrevistas dadas a outros veículos de imprensa, deve referenciar como no exemplo abaixo:
À CazéTV, o atleta Estêvão, do Palmeiras, disse que está ansioso para ir para Europa, onde representará o Chelsea.
Contudo, incentivamos que você busque fazer a própria entrevista com o atleta ou atletas que subsidiarão seu texto.
Não se esqueça de que o texto precisa ter: lead, pirâmide invertida, citação [entrevista] e, no mínimo, 6 parágrafos.
ATENÇÃO, ALUNO(A):
- Assista ao vídeo de orientações para realização da atividade MAPA, gravado pela professora.
– Realize a sua atividade MAPA no Formulário Padrão que está disponível para download no Material da Disciplina.
– Certifique-se sempre de que está encaminhando o arquivo correto no seu Studeo antes de finalizar, pois não haverá como editar e/ou enviar outro arquivo após a finalização.
– Qualquer dúvida entre em contato com a mediação.
Bom trabalho a todos!